Foi
a meio de Agosto que nasceu uma pequena lagarta que tinha o sonho de se tornar
dançarina.
Era
mais pequena que os demais e parecia claramente mais frágil. Os que a rodeavam
faziam questão de a lembrar todos os dias das suas incapacidades, mas assim a lagarta
ia aprendendo a ser mais forte, e apesar de ter sempre o coração na boca, preferiu
ficar calada.
Tornou-se
sonhadora! Queria poder dançar. Mas as lagartas não dançam, apesar de terem muitas patas. E a esta faltava algo, algo que a libertar-se daquele ser que
representava e a torna-se como a borboleta, que dança com as suas asas livre
pelos céus... Mas ainda não era capaz…
A
lagarta aprendeu depressa que ser feliz dava trabalho e que para atingir os
seus objectivos teria de se esforçar muito e a toda a hora. Ela chorava e
mantinha o seu espírito livre fechado no seu pequeno corpo, contava com amigos,
mas guardava muito mais para ela. Dizer “eu conheço aquela lagarta”, é uma
expressão vã, a única que sabe o que a lagarta é de verdade e o que quer, é ela
própria, e será sempre assim até que a lagarta aprenda que também precisa dos
outros, que não está sozinha e que obstáculos atravessam-se melhor quando
estamos acompanhados.
Ainda
assim a lagarta cresceu e aprendeu que o amor magoa, que a amizade precisa de
ser cuidada, e que os sonhos podem não se concretizar, e foi aí que a lagarta
atingiu o seu momento, um pequeno belo momento, em que ela mudou o seu caminho,
cresceu por dentro, esqueceu aqueles que a rebaixavam, conseguiu ser feliz sem
aquele amor que ela pensava ser indispensável e desabrochou, deixou o casulo
para trás e tornou-se na bela borboleta que é hoje. E dançou, naquele momento
ela dançou, com as suas novas asas, ela dançou… Tornou-se melhor, tornou-se
bonita, tornou-se borboleta…
Para
trás fica a memória de uma lagarta que sabia o que queria, que desejava ser livre
e que não o conseguia alcançar, para dar lugar a uma borboleta livre e
preparada para receber novos saberes.
Mas
ela sabia que os sonhos não se concretizam sempre. Pois esta borboleta nunca
dançará exactamente como desejaria, simplesmente não pode, mas ela não vai
desistir, construirá novos sonhos que tentará concretizar.
Por
tudo aquilo que deixamos por dizer, por todas as desculpas que não pedimos, por
todos os momentos que deixamos para trás e que só memoria temos deles, desejo
que sejas feliz e que te mantenhas borboleta sempre.
Para:
Bruna Ferreira